O RÁDIO CARIOCA - Artigo 1 - Iterbio Galiano Aldrighi (*)

“...as lições transmitidas pelo Rádio poderiam
ser de orientação para esses professores rurais,
que assim as retransmitiriam aos seus rá-
dio-ouvintes ou diretamente as ministrariam aos
alunos freqüentes à sua escola ou casa.”

Profº Leitão da Cunha

 

Breve História da Rádio Mayrink Veiga: PRA – 9

A Rádio Sociedade Mayrink Veiga nasceu, como as outras emissoras, dos esforços fatigantes e incessantes de um grupo de homens inteligentes, idealistas, que só tinham em mente edificar um colégio radiofônico — segundo César Ladeira, nome de prestígio na radiofonia brasileira, diretor artístico daquela emissora e criador, com a colaboração de Plácido Ferreira e Paulo Magalhães do tradicional Teatro pelos Ares.

O Distrito Federal já possuía duas escolas radiofônicas, as Rádios Sociedade Rio de Janeiro e a Club do Brasil, daí era preciso aumentar o número de emissoras, difundir a cultura. Desse ideal, em 6 de março de 1926, presidida por Alfredo Mayrink Veiga, nascia a PRA-K, Rádio Mayrink Veiga, com sede e estúdios na rua do mesmo nome, nº 15, próxima à Praça Mauá, operando em 1.110 kilociclos, com a potência de 1 kilowatt. Suas audições, à base de gravações, se estenderam até 1933, quando se resolveu contratar o locutor César Ladeira, nascido em São Paulo. Já nesta época a Rádio Mayrink Veiga operava em 1.220 kilociclos e mudara o seu prefixo para PRA-9.
Felício Mastrangelo apresentava, naquela época, somente às sextas-feiras, um programa com cantores. Mais tarde, César Ladeira aumentou o elenco da emissora com Francisco Alves, Carmem Miranda, Aurora Miranda, Jorge Fernandes, Patrício Teixeira, Noel Rosa e muitos outros artistas. Já estava se confirmando as palavras de um dos pioneiros da radiodifusão, o Profº Edgard Roquette-Pinto: “...O Rádio trará um grande lenitivo para o povo brasileiro...”
Em 1934, Rádio Mayrink Veiga apresentou uma aduição com o astro do cinema, Ramon Navarro. Esse ano passou depressa. Em 1935, vinha a lume o livro do Profº Anísio Teixeira, intitulado Educação Pública, sua Organização e Administração, cujo capítulo III trazia o seguinte prefácio de Edgard Roquette-Pinto: “...a radiodifusão didática acha-se ainda em pleno período experimental. O que já vai proporcionando é admirável; mas está, por enquanto, longe do que há de ser. Acontece, com o rádio, algo de parecido com o que se passou com a lanterna mágica.”

(texto publicado pelo autor, crítico de Rádio em O Popular, jornal carioca, diário, em 14/4/1953).
(*) Jornalista, médico e escritor.


 


O RÁDIO CARIOCA - Artigo 2 - Iterbio Galiano Aldrighi (*)


“É naturalmente nos centros rurais que a radio instrução mais se
adapta às dificuldades de aí chegar à instrução pessoal”.

Prof. Alceu Amoroso Lima.



Breve História da Rádio Clube do Brasil – PRA-3

Em 1923, além da Sociedade Rádio do Rio de Janeiro, era criada no antigo Distrito Federal, a PRA-3, Rádio Clube do Brasil. Ambas irradiavam em dias alternados: às segundas, quartas e sextas-feiras, a Sociedade Rádio Rio de Janeiro e às terças, quintas e sábados, a Rádio Clube do Brasil. Aos domingos o carioca não ouvia rádio. No início da nossa radiodifusão, as rádios-clube eram mantidas por associados, pessoas e algumas firmas comerciais que colaboravam pecuniariamente, uma espécie de mantenedores. Mais tarde surgiram os reclames, os anunciantes. A Rádio Clube do Brasil foi uma das primeiras emissoras a ampliar as suas instalações. Logo após estabelecer-se no Edifício do Cineac Trianon, inaugurou um auditório, um estúdio amplo, além de aparelhamentos modernos. Pouco a pouco a PRA-3 foi formando seu elenco de locutores (speakers), produtores-apresentadores de programas, até obter recursos para trazer artistas internacionais como o tenor italiano Beniamino Gigli. E que sucesso! Veio também um ás do teclado, o ucraniano Sergei Sergeievitch Prokofiev. Arnaldo Amaral, que fora um dos diretores da Rádio, conta que ocorrera um fato bastante interessante com o compositor e pianista russo. Prokofiev só tocava em seu piano e, por isso mesmo, toda vez que tinha audição na emissora, pagava a um carregador para transportar o instrumento à Rádio. Depois, os dirigentes da estação compraram um piano e pediram ao músico que colocasse junto ao teclado a sua assinatura. O grande pianista assim o fez. O tempo passou e Prokofiev retornou a sua pátria. Os anos se sucederam, e o piano precisava de reparos. Chamaram um lustrador português, que ao se deparar com a assinatura, bradou enraivecido: — Ora bejam só! Quem terá sido o engraçadinho que rabiscou o piano? E o mais que depressa, usando um canivete, arrancou o autógrafo do grande Prokofiev.

‘De Rádio — Papel Carbono continua a ser uma atração da PRA-3. Ainda na semana que findou, tivemos a oportunidade de ouvi-lo e confessamos que a impressão causada foi a melhor possível. Embora não sendo propriamente um programa de calouros e sim de imitadores, quando estes fracassam na intenção que os levou ali, não ouvem de Renato Murce o clássico ‘deboche’ tão comum em várias estações. O ‘Seu Leão da Metro’, com palavras delicadas, sem ferir os melindres do candidato, explica-lhe que faltou experiência. Mas nem todos pensam da mesma forma, senão... ’
(texto publicado pelo autor, crítico de Rádio em
O Popular, jornal carioca, diário, em 19/3/1953).

(*) Jornalista, produtor da Rádio Roquette-Pinto 94,1 FM, médico e escritor.


 


O RÁDIO CARIOCA - Artigo 3  - Iterbio Aldrighi (*)

O Rádio de Ontem

— O PRIMEIRO PREFIXO – PRA-2 —

A Rádio Sociedade do Rio de Janeiro não foi tão somente a primeira a requerer a sua legislação junto aos Correios e Telégrafos, para ter a posse do prefixo número 1 do Brasil (PRA-2). Por ela se modelaram todas as sociedades e rádioclubes que tivemos, e a orientação que lhe deram poderá ainda hoje fazer parte da história da radiofonia brasileira.

Os nomes mais representativos da cultura de nosso país fizeram-se ouvir, inúmeras vezes, em conferências e palestras, por seu microfone. Suas atividades educativas se distribuíram através de:
 

CURSOS – Literatura francesa – Profa Maria Velloso

Literatura inglesa – Profa Heloísa Lentz.

Esperanto – Prof Couto Fernandes.

Rádio Telegrafia e Telefonia – Prof Vitorino

Augusto Borges.

Silvicultura prática – Prof Alberto Sampaio.

b) LIÇÕES - Português – Professores Antenor Nascente e

José Oiticica.

Francês – Profa Maria Velloso.

Inglês - Professores Luís Eugênio de Morais

Costa e Helena Lentz.

Italiano - Prof Gean Bicci.

Geografia – Prof Odilon da Mota Portinho.

História Natural – Prof Melo Leitão.

Física – Prof Venâncio Filho.

Química – Professores Mário Saraiva e Custódio

José da Silva.

E o Rádio de Hoje?
(*) Jornalista, médico e escritor.